Netflix impressiona mais uma vez, apesar dos mesmos atalhos de sempre.
Mais uma série Netflix acaba, e mais uma com aqueles finais que deixam margem pra uma segunda ou terceira temporada, que provavelmente sugarão nosso dinheiro e noites de sono. Mas apesar de soar como todas as outras, não se engane: Sex Education é, de longe, a melhor coisa que o serviço de streaming mais popular do mundo criou no últimos anos.
Desde o elenco extremamente simpático as abordagens precisas, Sex Education acerta em tudo. Inclusive, na forma natural que quebra paradigmas dentro dos próprios paradigmas. Desde o aluno popular ao fracassado protagonista, todos por si só já estão fugindo dos tabus que muitas outras recriações mentirosas da adolescência (incluindo as da própria Netflix) não chegam nem perto de, ao menos, tentar. É uma chuva de inclusão a cada episódio. E mesmo as intrigas mais forte da trama não te deixam com dores de barriga de ansiedade e soam leves como um dia comum. E apesar dessa leveza, é impossível não ter vontade de, após começar o primeiro episódio, terminar a temporada na primeira noite.
Asa Butterfield já é conhecido por outras produções grandiosas, como A Invenção de Hugo Cabret, Ender's Game e O Lar das Crianças Peculiares. Mas em Sex Education é notável o quanto o tempo só lhe fez bem e o quanto seu personagem, apesar de propositalmente apático, consegue naturalmente ditar o ritmo de cada episódio. Dentre os destaques também está Gillian Anderson, a eterna Dana de Arquivo X, que mostra o quão versátil pôde se tornar com os anos, quando faz a mãe sensual e super protetora do protagonista. A surpresa, claramente, é Eric, o primeiro papel de destaque da carreira de Ncuti Gatwa. O talentoso ator de descendência africana rouba a cena e consegue ir de alívio cômico a estopim dramático em poucos frames. E o mais incrível é que toda essa simpatia não se restringe a apenas estes três citados. Todo e qualquer personagem, dos figurantes aos atores com mais tempo de tela, soam tão naturalmente que parecem pessoas da nossa escola, que podem nos odiar por sermos nerds ou nos adorar por sermos populares. São atuações simples e precisas, que soam muito comuns apesar de estrategicamente estereotipadas.
A atmosfera oitenta/noventa, que está super na moda, não entra em conflito com o fato da série se passar nos tempos atuais. Muito pelo contrário: Os figurinos, cenários e até mesmo a paleta de cores nos remeterem a décadas passadas, apesar de tudo se passar no hoje, é um reflexo direto do que vivemos atualmente, com a volta do vintage retrô nonsense e sem a mínima repudia de apostar em cores delirantes e discos de vinil do The Cure.
Nota: 10
Sex Education é um deleite para os olhos, um soco no estômago para os ouvidos, e um caloroso abraço para as minorias. Fazia um tempo que a Netflix não acertava em cheio, e dessa vez é preciso admitir que cada detalhe minucioso da criação e confecção dessa série, definitivamente, valeu a pena.

Comentários
Postar um comentário