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Capitã Marvel (2019) - 'Girl Power exala!'

O mais forte dos Vingadores é uma mulher.


A espera acabou, e enfim temos um filme solo de uma heroína digna de tal. Apesar de ser uma história difícil de adaptar, a origem foi muito bem mostrada e não deixou pontas soltas. Pelo contrário: Aparou as pontas que estavam confusas.

A fórmula Marvel é colorida, cômica e de fácil digestão. Capitã Marvel é prova disso. Mas, estranhamente, parece que o filme foi feito para a fórmula, e não o contrário. O roteiro permite as piadas e desfechos intrigantes como há tempos não se vê em uma produção da empresa, que parece ter aprendido a medida certa entre graça e poder depois de Thor: Ragnarok. Mas, como todo bom filme de herói, Capitã Marvel tem seus defeitos.

Boa parte da trama é desenvolvida no espaço, usando e abusando de maquiagem, ponto alto do longa, e CGI, ponto baixo. Por vezes, a computação gráfica era tanta que ficou difícil de entender o que estava acontecendo, principalmente quando ela usa o uniforme completo, á deixando com um moicano que ninguém entendeu ainda qual o formato, apesar de ser bem bonito imagéticamente. Além disso, o vilão, mesmo com uma motivação bem plausível, não tem a menor sintonia com o longa. Nem para nos fazer odiá-lo, aliás. E não é culpa da atuação do ótimo Jude Law. É só que não agrega. Mas como dificilmente essa parte do núcleo não voltará a aparecer por essa franquia tão cedo, é normal dizer que não farão falta nenhuma.

Mas não se engane. O longa é conciso, direto e apresenta a personagem de forma didática e sem subestimar o público. Claro que, se a pessoa não tiver conhecimento de pelo menos parte dos filmes anteriores da franquia, vai ficar difícil de entender de primeira. Mas eu não consigo acreditar que alguém sinta interesse nesse filme sem saber ao menos quem são os Vingadores. (Mas, mesmo assim, ainda teve gente saindo do cinema antes do fim dos créditos). As atuações com rejuvenescimentos digitais ficaram incríveis, e Samuel L. Jackson lembrou os tempos áureos de 'Pulp Fiction'. E apesar de não ser um símbolo de simpatia, Brie Larson entregou uma Carol Denvers determinada e sólida. E o filme, além de muito bom visualmente, entrega uma mensagem forte, num sub texto muito necessário pros dias atuais.

Nota: 8

Fogo nos machistas, que terão que aceitar que um filme protagonizado por uma mulher não é só tão bom, quanto muito melhor que muitos outros de alguns heroizinhos da empresa.

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