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Vidro (2019) - 'Menos cult, mas não menos interessante'

Shayamalan ressurge, menos darkness e mais palpável.


É quase inacreditável. O filme tem seus defeitos, mas a forma como reconstitui não só 'Fragmentado', de dois anos atrás, mas 'Corpo Fechado', de dezenove anos atrás, beira a perfeição. É um fan service gigante, e independente de todo e qualquer desapontamento do longa, tem honrarias por tamanho cuidado.

Apesar do título do filme ser o mesmo codinome do personagem de Samual L. Jackson, não se engane. Suas aparições são estratégicas e não tem o mesmo peso de um 'personagem principal'. Apesar de ainda ser muito bem interpretado pelo experiente Samuel, o multifacetado Kevin, de James McAvoy, segue roubando a cena. O 'núcleo Corpo Fechado' não é dos mais simpáticos, nem dos mais desenvolvidos, mas Bruce Willis, no auge de seus sessenta e poucos anos de idade, ainda entrega uma atuação convincente (não que seu papel seja dos mais bem construídos).

O roteiro tem clichês bem estruturados, já que remonta as tramas do primeiro capítulo da trilogia, que permeia as peculiaridades dos quadrinhos. Então, até aí, tudo se encara como referência. Mas nem sempre tudo se encaixa tão bem, até pelo óbvio: Em pleno 2019, época de grandes produções pipoqueiras e vendáveis, Shyamalan teve que abrir mão de seus artifícios funcionais e tornou 'Vidro' um longa muito mais palatável que seus antecessores. As cores já não tem a mesma importância de antes, as auras já não são tão visíveis. E o filme funciona, ainda assim. Não é melhor que nenhum dos seus antecessores, mas funciona.

Nota: 7,5

Shayamalan teve carinho em cada detalhe. Conseguiu unir com maestria a singularidade de 'Fragmentado' com a premissa de 'Corpo Fechado'.
Não há mais espaço para alguém se tornar vilão ou herói. Não é uma batalha final, é uma história de origem. Mr. Glass tinha razão.

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