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Minha Vida em Marte (2018) - 'Dos filmes ruins que nos fazem bem'

Paulo Gustavo é uma espécie de Adam Sandler brasileiro: Faz sempre o mesmo personagem, mas sempre nos faz rir.


A comédia brasileira que teve estréia do dia de natal ainda segue em cartaz e carregando milhares de expectadores as salas de cinema. E é exatamente essa a apelação do filme: Apesar de hora ou outra o teor sexual ter seu destaque, ainda tem fortes traços de filme família, com cara de Sessão da Tarde. E se formos pensar financeiramente, é uma formula de sucesso pra ambos os lados. O público sai feliz, com uma exibição mastigada e a boca dormente de rir, e os responsáveis enchem o bolso da forma mais tranquila possível.

Usando todos os clichês do cinema nacional, 'Minha Vida em Marte' tem um diferencial enorme: Paulo Gustavo. O comediante, conhecido pelos trabalhos no canal fechado Multishow e em outros sucessos de bilheteria do cinema nacional como 'Minha Mãe é uma Peça', carrega o filme nas costas. Ele é o alívio cômico, o momento sério, a única atuação compromissada e, não a toa, tão protagonista quanto a verdadeira protagonista, interpretada por uma Mônica Martelli extremamente sem sal.

Apesar dos vários pontos desligados e de momentos cruciais com falha de continuidade, o filme é engraçado. Muito por culpa do comediante, importante dizer de novo. E apesar de todos pequenos defeitos, o filme quebra os conceitos de 'final feliz' que são insuportáveis, mostrando uma mínima preocupação em soar diferente. Em contrapartida, segue alimentando a busca pelo padrão de beleza de forma ofensiva e fútil, algo que muito dificilmente sairá do cinema brasileiro pipoca.

Nota: 5

O filme é fraco, mas arranca boas risadas. E Paulo Gustavo não precisa se esforçar muito pra nos fazer rir. O cara se mostra um verdadeiro Midas, transformando em ouro toda produção que participa. Mas fica a expectativa e esperança de um dia vê-lo em alguma produção menos rasa e descompromissada. Eu acho que dá caldo.

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