Pular para o conteúdo principal

Homem Aranha no Aranhaverso (2019) - 'Um Globo de Ouro nunca foi tão bem entregue'

Não é cedo pra cravar como um dos melhores do ano? Não!


Um filme de animação com seis Homens Aranha, sendo um deles um porco. A princípio não parece dar certo.

O longa não perde tempo apresentando ninguém. Afinal, essa é a 9ª vez que um filme com aparição do cabeça de teia passa pelas telas do cinema. E mesmo com o ritmo acelerado, tudo acontece muito naturalmente, mas sem obviedades que subestimam os expectadores, mesmo sendo uma animação. E apesar de serem seis personagens centrais, além de vilões históricos repaginados e profundos, a trama é extremamente bem resolvida e desenvolve tão rapidamente quanto nos empolga. O principal Aranha que nos é apresentado, Miles Morales, é tão carismático e empolgante quanto seu antecessor, Peter Parker. Ele parece ser uma correção de tudo o que Parker deveria ter sido nas outras franquias do Spider, e não conseguiu: Jovem, assustado, com problemas em casa e lidando com vilões que ele nem sabia que existiam. Talvez a única diferença entre eles seja a de que Miles não é o mais inteligente da escola, e a sua mania de grafitar as ruas que, a princípio, pode parecer estereotipada, é tratada com tanta sutileza e cuidado que acaba se tornando mais um dos charmes do personagem.

É tecnicamente lindo. A animação tem referência direta das HQ's, não só no roteiro mas visualmente também. As cores são um vislumbre e o 3D é totalmente legível e efetivo da medida correta. A batalha final é um deleite visual e emocionante que, por horas, me fez esquecer que se tratava de um 'desenho'. A dublagem para português, encabeçada pelo gênio Manolo Rey, é indiscutivelmente perfeita. Alias, Manolo foi o dublador do primeiro Homem Aranha, de 2002, de Tobey McGuire, e que nesse filme, mais de 15 anos depois, o vê-lo emprestar novamente sua voz ao Aranha é um acontecimento ímpar.
E não é só ai que o Homem Aranha de 2002 é citado. As referências, não só a esse longa mas a todo universo Marvel, são intensas. Os easter eggs estão escondidos aos montes, e estamos todos esperando as compilações.

Com trilha sonora impecável, cena pos crédito intrigantemente hilária, uma animação de encher os olhos e um dos cameos/homenagens mais emocionantes que Stan Lee poderia receber, a nota não poderia ser outra:
Nota: 10

Não é exagero. O filme que tinha tudo pra dar errado foi um dos que mais deu certo que eu já vi e crava sim o seu nome como um dos melhores filmes do ano. (O melhor, até então).

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Capitã Marvel (2019) - 'Girl Power exala!'

O mais forte dos Vingadores é uma mulher. A espera acabou, e enfim temos um filme solo de uma heroína digna de tal. Apesar de ser uma história difícil de adaptar, a origem foi muito bem mostrada e não deixou pontas soltas. Pelo contrário: Aparou as pontas que estavam confusas. A fórmula Marvel é colorida, cômica e de fácil digestão. Capitã Marvel é prova disso. Mas, estranhamente, parece que o filme foi feito para a fórmula, e não o contrário. O roteiro permite as piadas e desfechos intrigantes como há tempos não se vê em uma produção da empresa, que parece ter aprendido a medida certa entre graça e poder depois de Thor: Ragnarok. Mas, como todo bom filme de herói, Capitã Marvel tem seus defeitos. Boa parte da trama é desenvolvida no espaço, usando e abusando de maquiagem, ponto alto do longa, e CGI, ponto baixo. Por vezes, a computação gráfica era tanta que ficou difícil de entender o que estava acontecendo, principalmente quando ela usa o uniforme completo, á deixand...

A Morte Te Dá Parabéns 2 (2019) - 'Nem terror, nem comédia'

A continuação tenta fugir do estigma do suspense, e é exatamente esse o seu maior erro. É difícil qualificar um filme como esse, que aparentemente está completamente descompromissado em parecer ser bom e está muito mais preocupado em fazer rir da forma mais besteirol possível. Não foi meu caso. Pelo contrário: As atuações são tão enjoativas e sem nuances que fizeram um filme de pouco mais de uma hora e meia parecer não acabar. Essa sequência começa pouco tempo depois de seu antecessor. E de maneira quase infantil, nos explica tudo o que aconteceu anteriormente. O que de certa forma pode até soar inteligente se pensarmos que boa parte do público de filmes como esses são de pessoas que não se importam muito com roteiro e mais com as sensações que um filme que flerte com terror e suspense possa proporcionar. E a ideia não é ruim. Aliás, parece bastante interessante e atraente um filme de terror com temáticas como universos paralelos e viagens temporais. Mas esse é o único ace...

Corpo Fechado (2000) - 'Um herói (quase) real'

Nem todo filme de herói precisa ter ação Apesar da foto ser do inquestionável Samuel L. Jackson, não se engane: Bruce Willis entrega um de seus melhores e maiores papeis da carreira. 'Vidro' é a terceira parte da trilogia Shyamalan, o diretor controverso que reveza entre fracassos e sucessos. Bom, 'Corpo Fechado' aparentemente é um de seus maiores sucessos. A trama é incrivelmente brilhante e a lentidão do filme é quase poética, diferente da formula que as grandes empresas, como a Marvel, usam em seus longas. Até parece que a precariedade de artifícios técnicos deixa o filme ainda mais sensível. Não tem nenhuma grande luta, nenhum grande ápice, e ser um filme interessante mesmo sem esses atalhos é o que o torna tão especial. Bruce Willis, que não é o melhor ator do mundo, entrega o que de melhor ele poderia. Samuel L. Jackson estava a ponto de consolidar sua carreira e já mostrava que era digno do que viria a seguir. Mas a tensão vai além da atuação. ...